O fim do plástico-bolha e as agulhas do Caos

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Ah, é, agora vão acabar com o plástico bolha. Conheço gente que já está roendo as unhas e estourando as últimas bolinhas com ar de outros países dentro, de tão nervoso que ficou com o anúncio.

Como sempre vou na contracorrente do mundo, jamais compreendi esse fascínio pelas bolhas do plástico bolha.  Sei lá, nunca vi muito sentido na relação que algumas pessoas estabelecem entre o plec, plec, plec das bolinhas estouradas e o acalmar-se.  Para mim são coisas tão relacionadas quanto um copo de água e o botão de volume do meu computador.

Certa vez, convencida de que para fazer parte do grupo é preciso parecer com o grupo, me dediquei a estourar um plástico bolha enquanto pensava na vida. Impossível. Eu ficava caçando a próxima bolha e a próxima e a próxima, e a da vida, pensar que é bom, nada. Ao invés do relax que eu esperava, fiquei foi muito nervosa. Terminei deixando o plástico de lado e fui procurar o que fazer.

Na real, eu relaxo muito mais fazendo tricô! Outro dia, liguei a TV, o leptop e cogitei seriamente em puxar o tricô, porque entre aguentar as notícias de uma e as bobagens do outro, só procurando algo para relaxar. Eu podia ter simplesmente deligado, mas de vez em quando é bom saber das notícias. Não todas, só algumas. O mundo anda de um jeito que mais parece saído de algum romance de espionagem insano, ou de um conto surrealista do Murilo Rubião. Daí parei e pensei no que estava fazendo. Fazer duas coisas ao mesmo tempo é humano, três, já não sei… por via das dúvidas, deixei as agulha em paz. Vai que eu descubro que faço três coisas ao mesmo tempo, depois quatro… não, melhor não.

Em todo o caso, o desaparecimento programado do plástico bolha é um marco. É como no dia em que anunciaram o fim do telégrafo, ou o encerramento oficial dos rádio-amadores. Parece que é um avanço – quem precisa de telégrafo ou rádio amador em tempos de WathsApp, não é mesmo? – mas é uma opção a menos.  E uma opção a menos é algo que me faz sentir mais limitada. O futuro era para ser plural, não é mesmo?

Era para ser, mas foi um engano. Nosso futuro é cada dia mais estreito. O plástico bolha é só o começo. Depois virão os ataques de nervos por falta do que estourar, e finalmente o Caos. O Caos!

Comprem agulhas de tricô. Em último caso, dá para esgrimir com elas no nariz dos zumbis pós-apocalipse.

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