Sol

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O sol voltou!

Depois de dias em que ele parecia apenas um personagem de lendas, voltou com seu brilho dourado e quente, o céu azul feito uma foto de cinema.

Verdade seja dita, ele nunca nos abandonou: permaneceu acima das nuvens, um tênue resquício do que vejo hoje, lembrando-nos de sua presença perene. Mas a gente só se alegra mesmo, quando o vê, brilhante, se derramando sobre as águas que ficaram para trás. Quando ele nos dá razões para reclamar do seu calor e do seu brilho.

Não adianta, ser humano só é feliz quando resmunga.

Os últimos dias misturaram água, lixo e lágrimas. Mesmo agora, não há prazer, para quem tem a casa alagada por uma semana de chuva acima do previsto para o mês. Mas há esperança. Ver o sol brilhar no centro do céu azul, é a confirmação da filosofia dos avós, das letras de samba e das cantigas de roda. A gente olha ao redor e sabe que terá uma nova chance, porque pode ver o sol.

Sei por experiência própria: quando o tempo está chuvoso e triste, mamã trafega pela casa como um cão abandonado, de canto em canto, a cara triste e pidona. Não há nada que eu posso fazer, mas bem que faria que houvesse algo ao meu alcance. Mas sai o sol, e eis mamã desfilando como uma gata atarefada com seus gatinhos. Só que não são gatinhos, são peças de roupa que ela põe a secar: da sala para a área de serviço, de lá para o recinto da TV, da TV para o quarto, sempre caçando o melhor ponto, onde luz, calor e umidade se juntam para secar os panos que nos defendem do frio e do molhado. Mamã, quando há sol, ronrona feliz e inquieta. Quando chove, murcha feito planta sem água.

Mas é que somos movidos à luz. No cinzento do inverno, percebemos o quanto somos sombras. O que de sombrio há em nós emerge. O bolor das horas mortas das tardes de domingo, quando não há nada a fazer a não ser esperar que a segunda-feira chegue, abençoada, com seus afazeres e sua rotina.

Porém se surge o sol, renascemos de nós mesmos, e das cinzas dos dias desperdiçados nos lançamos para o espaço. Dia de sol é sinônimo de tudo o que se pode viver. Desperdiçá-lo em escritórios e filas de banco deveria ser considerado crime!

Uma delícia esse sol, resumo, uma delícia esse céu azul. Até aquelas nuvens no horizonte, branquinhas, têm a minha simpatia.

E não devia. Porque brancas ou não, simpáticas ou não, estão se juntando em grupos enfarruscados, planejando cobrir tudo de novo. Não adianta, alegria de pobre dura pouco, por isso é tão estridente.

A verdade, dizem os meteorologistas, é que amanhã chove de novo.

Estraga prazeres!

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