134340 Plutão

Plutão
Fotografia em cores de Plutão, obtida pela sonda New Horizons em 13 de julho de 2015 – fonte: Wikipédia

Pois então, semana passada chegamos à Plutão.

“Chegamos” é modo de dizer; quem chegou foi uma sonda, o que não é, absolutamente, a mesma coisa do que “nós”, e ainda menos do que um indivíduo que sabe o que está vendo. Mas convencionou-se que enviar um aparelho de construção humana a qualquer ponto do Universo é o mesmo que enviar a nós mesmo, somos “nós” os que estamos lá, então é isso: chegamos à Plutão.

Plutão, diga-se de passagem, aquele planeta com quem andamos fazendo bullying – e aí, sim, o pronome que rege a conjugação verbal está devidamente aplicado.

Bullying, sim senhores, nós fizemos isso com um pobre planeta, porque ele não era grande o bastante para nossa visão estereotipada de planeta – e o dito cujo, por certo, revelou-se ligeiramente maior do que o esperado, o que me faz pensar que não sabemos nada a respeito do Cosmo que nos cerca, a menos que as teorias dos malucos quânticos estejam corretas, e as coisas se alterem à medida em que são observadas. Talvez Plutão fosse, de fato, menor. Mas com nosso interesse por ele, e com tanta gente torcendo para que ele não fosse rebaixado de categoria, talvez o planetinha tenha se inchado de expectativa. Ou se alegrado com o visitante metálico, inspirado e se aprumado para a foto. Depois de tanta gozação, talvez ele tivesse querido nos mostrar que as coisas não são bem assim, e de mais a mais, qualquer um de nós sobre a superfície plutoniana, mais pareceríamos uma migalha do que uma formiga, então chamar os outros de “planeta anão” ou querer rebaixar o cara de categoria é, no mínimo, falta de respeito.

Revelou-se em fotos nítidas, que Plutão tem picos e vales. O Sol que o ilumina mais parece a nossa Lua Cheia. E seu companheiro de viagem é quase tão grande quanto ele, Caronte, o satélite cheio de si. Satélite que talvez não seja satélite. Talvez sejam eles dois um planeta binário. É que Caronte não gira em torno de Plutão, mas giram os dois em torno de um ponto localizado no espaço entre eles.

Coisa de louco: enquanto nós fazíamos bullying, os dois corpos celestes aprendiam a dançar uma valsa. E nós, iludidos, querendo colocar um rótulo em ambos, discutindo e dando risada, este é planeta, planeta anão, nem planeta é, mas a gente o considera planeta, para não ficar chato. É como se o Universo não tivesse nenhuma outra surpresa a nos apresentar em nosso próprio sistema solar…

A gente se acha, mesmo!

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s