Celular, celular

IMG_3946Eu adoro as experiências que aparecem no Face. Agora surgiu um cara que mergulhou o seu smarthfone em refrigerante por dois minutos, provando assim que uma marca é melhor do que a outra. E como a propaganda é a alma do negócio, não duvido nada que o tal refrigerante saia por aí dizendo que agora os dados do celular podem ser transferidos para uma bolha de gás e dali para o copo de alguém, repassando assim os dados contidos no aparelho. Já a marca de celulares, não adianta. A moçada não está tão interessada em telefones que resistam um mergulho num copo de refri, estão mais interessados no manuseio e na quantidade de aplicativos que não fazem nada além do que já fazem os já instalados. Um filma, outro também, só que um filma na hora e manda tudo para a rede – se tiver conexão, é claro, senão o aplicativo nem funciona. Também o que grava só dez segundos, o que leva vinte minutos para baixar dois minutos de gravação na rede, o que pula corda, e suponho que haverá um que recite a tabela periódica dos elementos. Utilidade, utilidade, mesmo, de verdade, nenhuma, a não ser aquela luzinha chata que os espetadores de teatro e afins tem utilizado para irritar seus vizinhos. Sim, porque hoje em dia não se cogita ir à esquina sem por para funcionar um aplicativo que tire fotos, grave sons e ensine a dançar “Thriller”.

Eles se fazem úteis, como se fossem parasitas. Todos têm despertador e mostram as horas. São diabretes interessados no que você faz, onde você vai, com quem anda e o que come, como se interessasse a uma coisa a vida dos seres humanos. Tenho para mim que eles são sondas alienígenas, introduzidas no planeta para exterminar o resquício de inteligência que ainda tínhamos e que agora ficou atrelada à última notícia, à última fofoca, à última novidade, à última atrocidade. O que era privado virou público, o público é vigiado 24 horas pelo Grande Irmão que não passa de nós mesmos, Argos de mil olhos observando o mundo, observando sem nada pensar, porque não sobra tempo nem neurônios para raciocinar. Aqui temos 18º de temperatura, em Los Angeles  uma moça toca piano ao vivo, são 18:58 nas terras tupiniquins. Alguém morre de fome na África, a mãe de todos os povos segue faminta, alguém se afoga às margens de uma ilha grega enquanto tentava atravessar o Mediterrâneo, morre na praia, literalmente, e nós só olhamos, porque a virtualidade nos mostra mas não nos aproxima. Aproximar é uma atitude, é preciso levantar do sofá, é preciso se por sobre os pés e andar. Aproximar é a mais individual das ações, ninguém pode se aproximar por nós, podem se aproximar de nós, mas isso só resulta em algo maior se quisermos, se nos aproximarmos também. Fora disso, é violência.

Celular, celular. Na boa: eu também sou viciada.

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