Educação

mala

Chego  na rodoviária de Caxias do Sul depois de quase três horas de muita curva e serra íngreme. Das vertentes empinadas brotavam nuvens, névoa branca e tênue, tão transparente que a gente primeiro duvida que está, realmente, vendo uma nuvem – nuvem que vai virar um rio flutuante, lá em cima, e desaguar cachoeira em Gramado ou Vacaria.

Chego, enfim ao destino. É noitinha. As luzes de Caxias do Sul parecem um manto de lava se espalhando sobre os morros do Campo dos Bugres. A rodoviária é ampla e organizada. E como também quero ser organizada, vou logo comprar minha passagem de volta. Entro na fila, faço o zigue-zague distraída, cansada. Chega a minha vez, a moça do guichê me chama. E eu vou, arrastando atrás de mim, a mala.

E então, a mágica: ela me trata com um meio sorriso e muita educação. Diz: “boa noite”. Diz: “para onde a senhora deseja ir?”. Diz: “onde a senhora deseja sentar?”. Diz: “a senhora vai querer seguro?”

Percebi que ela me via. Me senti importante. Me senti fazendo parte de alguma coisa, talvez a espécie humana, quem sabe?

Ora, eu vim da cidade onde moro atualmente. Quando cheguei ao guichê da minha rodoviária, acho que disse “oi” (mas não posso garantir). A moça do outro lado me olhou. Quase não me vendeu a passagem, alegando que eu não precisava compra-la com antecedência que podia fazer isso na hora. Vai que eu mudasse de ideia, não é mesmo? Não, eu não ia mudar. Mas podia acontecer um imprevisto, não podia? Eu esperava que não houvesse imprevisto. Então com um suspiro, ela me vendeu a passagem. E não me perguntou se eu queria seguro.  Percebi que ela me via, porque trocamos olhares. Mas foi tudo. Não me senti parte de coisa alguma. Na verdade, achei que podia estar atrapalhado alguma coisa.

Eu sei que a minha conterrânea foi gentil à sua maneira. Mas, francamente falando, a gente sente uma diferença enorme quando a pessoa que nos atende, um ilustre sujeito, mas desconhecido, nos trata com educação. A educação cria elos de civilidade. Nos coloca no mesmo patamar. E, o mais interessante: é uma via de mão dupla.

Pois lá em Caixas, após comprar minha passagem, o rapaz que estava atrás de mim na fila avançou para o guichê. A moça educadamente pediu a ele que voltasse ao seu lugar e aguardasse um pouco, porque havia terminado o seu turno e ele seria atendido por outra pessoa. O rapaz não gostou muito mas, educadamente, voltou ao seu lugar na fila. E esperou. Tenho certeza de que foi bem atendido. Porque um trato bem educado nos dá essa certeza: de que seremos atendidos, de que seremos bem atendidos, de que seremos todos tratados de igual maneira.

Como seres humanos. Gente. Só isso.

Ô, que diferença faz, viu, vou te contar!

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