Feira Asséptica

11794612_939865726079694_7628760823541672669_oMandei esse texto para o Jornal NH, mas até agora não foi publicado. Quando for, e se for, estará tão longe da realização de nossa feira local de livros que já não terá interesse algum. Então, fica aqui a minha opinião. Ao longo da semana, postarei mais alguma coisa, aguarde.

Me perdoem a honestidade, mas a localização da Feira do Livro de Novo Hamburgo deste ano não me convenceu. É bem verdade que leva-la às dependências da Fenac proporcionou algumas vantagens: facilidade de estacionamento e área coberta, por exemplo. Pode se dizer, também, que a disposição das bancas foi mais democrática, porque ao serem colocadas em “U”, garantia uma visibilidade igual para todos os expositores.

Mas quem estava lá para ver? Essa foi a principal discussão.

Sônia Zanchetta, responsável pela área infantil e juvenil da Feira do Livro de Porto Alegre, comentou no Facebook, no início do mês: “Eu não gosto de feiras de livros que caem, de repente, como de paraquedas, no meio do calendário cultural de municípios, escolas, bibliotecas e outras entidades. Para mim, feira de livro tem de ser festa, mas também culminância de um trabalho sério, permanente e apaixonado de promoção da leitura e da escrita, realizado a muitas mãos e que envolva a escola e a comunidade.”

De fato. Particularmente achei triste e um bocado decepcionante, me deparar com uma Feira asséptica como a nossa, varrida e organizada, mas que só ficava movimentada quando havia escolas. Onde estava a comunidade?

Muito se falou sobre a localização da Feira: que ela precisa ser na praça, junto do povo, bem ao estilo da canção. O artista tem de ir aonde o povo está. O escritor precisa fazer isso. O livreiro, se quiser vender seu artigo, também. Eu concordo. Mas também devo dizer que só isso não basta. Eventos precisam de divulgação prévia. Muita divulgação. E, mais uma vez, não apenas nas escolas. Feira do Livro não é evento escolar. É evento público, realizado com dinheiro público, para todo mundo. Colocar a Feira do Livro dentro da Fenac foi uma medida asséptica. Pena que o público não se sentiu convidado a participar.

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