Ainda a Feira do Livro

biblioteca1Talvez o ideal fosse recortar o texto e enviar para o Jornal NH. Mas como a crônica anterior ainda não foi veiculada pelo nosso maior jornal local, prefiro usar o blogue como janela de interlocução. Se você concorda com esta crônica, por favor, compartilhe. Se não, deixe o seu recado. Um abraço!

Um amigo me comentou sobre a mudança da localização da Feira do Livro de Novo Hamburgo neste 2015. Disse ele que a feira aconteceu na Fenac porque não havia condições de realiza-la na Praça 20, como já é costumeiro. Com tanta insegurança, e diante da situação física da praça, comentou ele, não havia maneira.

Então, ao passar por ali, prestei atenção. Confesso, e quem me conhece sabe: sou a última das observadoras, e se não fosse o comentário do meu amigo, não prestaria atenção, mesmo já tendo presenciado cenas um tanto assustadoras nos arredores deste espaço urbano, como uma fuga acompanhada de gritos de socorro, à saída de um espetáculo, e mesmo já tendo passado em seu entorno à noite, quando os gatos são pardos e as sombras fechadas.

O fato é que a Praça 20 está às escuras. No dia em ali passei, cortando-a na diagonal, não encontrei nenhuma luminária inteira. Repito: nenhuma. Todas pelas que passei estavam danificadas e, obviamente, não servem ao seu propósito de iluminar o local, que é nossa praça mais arborizada e bucólica. Olhando as demais, percebi a mesma coisa. À noite, quando cai a escuridão e as avenidas se iluminam, a Praça 20 vira um poço de trevas, onde se movem estranhas sombras, que vemos apenas na contra luz de fundo, e onde cintilam pirilampos em brasa. O efeito da iluminação das ruas, associado às trevas sob as árvores, garantem o total anonimato de quem se refugia ali. É impossível saber quem são. O que essas pessoas fazem é terreno fértil para nossa imaginação adubada com as notícias de páginas policiais.

Daí que, segundo o meu amigo, ficava difícil fazer uma feira em um lugar escuro e ameaçador.

Eu já acho que o poder público deixou passar uma excelente oportunidade para retomar a praça para a população. Realizar uma feira de livros, que envolve movimentação, luzes, shows e a presença maior da segurança pública institucionalizada, poderia ter sido uma forma extremamente positiva de retomar um espaço que é público e pertence a toda comunidade. Encher a praça de gente, crianças e atrações poderia ter sido uma excelente razão para reforçar o policiamento do local, investir em uma boa reforma, com atenção especial à iluminação e ao calçamento, já que parece ser necessário uma desculpa para que o dinheiro público seja investido nos nossos espaços urbanos.

Realizar a Feira na Fenac, por causa da falta de segurança pública foi como varrer a poeira para debaixo do tapete. E a gente sabe bem o que acontece quando fazemos isso: a renite toma conta, a gente espirra e tosse, o nariz escorre, e, no mais das vezes, choramos grandes lágrimas de arrependimento.

O pior é que chega um dia que não adianta mais fazer isso. Geralmente, é quando os ácaros já tomaram conta de toda a casa da gente.

Por agora, é só uma ideia. Mas para termos de volta nosso Centro e a segurança que tanto desejamos, precisamos ocupar a cidade com aquilo no que acreditamos: na alegria, no convívio e no ser cidadão. Coisas que a Cultura de uma maneira geral sabe fazer – e sabe fazer muito bem.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s