A flor astronauta

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A Zínia de Scott Kelly

 

Amarela, as pétalas arredondadas e o miolo simples, carregado de possibilidades.

Essa é a zínia de Scott Kelly. A flor que o astronauta cultivou no espaço, floresceu. Não era uma batata, mas também não era Marte, como naquele livro do sujeito que ficou no planeta vermelho depois que todo mundo foi embora. Era a ISS, em órbita da Terra.

Engraçado pensar que em meio de todo o lixo espacial que gira em torno do planeta em que habito, em meio a satélites de último tipo e máquinas que refletem sinais de comunicação, que espionam os países aqui em baixo, há uma prosaica e simples flor. Que é mais do que isso: é uma flor espacial. Nenhuma outra criatura terrestre nasceu no espaço. Os astronautas não nasceram no espaço, naturalmente, eles foram até lá. Ela é única.

Se este fosse um mundo sério, haveria uma corrida às floriculturas. Todo mundo ia querer ter uma zínia em homenagem àquela criatura vegetal que circula lá em cima, espreguiçando suas folhas, direcionando sua corola em busca da estrela mais próxima. Ou, quiçá, debruçando sua delicada coroa amarela na direção do planeta azul lá embaixo, como um minúsculo sol vivo. Talvez ela ambicione o azul e a gravidade, como quem quer algo que não sabe o que é.

Ou, talvez, ela se volte para o vazio escuro e nada vazio, pontilhado de outros sóis, de outras “Terras”, de outras distâncias. A zínia em seu vaso é tão misteriosa quanto a mais misteriosa das criaturas celestes. Porque ela foi a primeira? Porque ela foi a única, até agora?

Não. Porque ela está viva. Scott sabe que ele nada mais fez do que dar à zínia astronauta a possibilidade de florescer; deu-lhe água na medida certa, energia, umidade, deu-lhe uma chance e torceu de todo o coração para que ela desse certo. Fez tudo o que podemos fazer para quem amamos e depois esperou.

E ela deu certo. Por que? Técnica, por certo. Interesse, estudo e conhecimento, tudo isso por parte do astronauta.

Vida, só, por parte de uma semente. Como se fosse pouco o passe de mágica que ninguém ainda conseguiu reproduzir.

Agora, no Espaço, com certeza não estamos mais sozinhos.

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