O que me dói

                forro_museu

               Doem-me coisas assim:

                O Theatro São Pedro fechado à visitação, por falta de recurso para pagar o pessoal que acolhia os visitantes.

                Museu Histórico de Ribeirão Preto fechado porque caiu um pedaço do forro comido pelos cupins e fragilizado pelas infiltrações, o que denota falta de manutenção.

                O Museu do Ipiranga em São Paulo fechado até não se sabe quando, para realização de reformas.

                O Museu do Amanhã vilipendiado no presente pelo lixo deixado pelos visitantes, e no passado por se erguer em um terreno dedicado à escravidão.

                E demais etcs. que não conheço, mas que fazem parte da comprometimento diário da Cultura do país. Vasta Cultura, por certo. Muito maior do que imaginamos. Capaz de educar, melhor do que qualquer livro didático. Capaz de ensinar. Capaz de levar à reflexão. Capaz de nos encantar com esse país nosso em que não vivemos: assistimos de vez em quando, entre uma passeata e outra, entre um reboliço político e outro, que faz que  muda mas não muda.

                Que não muda em nada uma casa própria por um programa tipo Minha Casa, Minha Vida? Claro que muda: o teto. As paredes. O chão. Ter um banheiro onde ir fazer xixi. Um quarto e uma cozinha. É importante isso. Mas mais importante é quem está dentro da casa. É esse que tem de mudar. É esse que tem de ver além. É esse que tem de ter orgulho do país em que vive. Não do bairro, do pagode, da escola de samba, do time de futebol, do partido político. Orgulho do país refletido em amor pela história que nos formou.

                Nos ensinaram a nos envergonhar da escravidão dos negros. Do extermínio dos índios. Da ditadura política. Mas não nos deram nada em troca. Olhando sobre o ombro, pouco vejo de coisas boas. Não me ensinaram a vê-las. Quanto menos eu me orgulhar do que nos formou, melhor: sem raiz, nenhuma planta se fortalece.

               Eis porque diante da crise política que sacode o Brasil, lamento pelos museus. Pela Cultura, sempre  a última da lista dos poderes. Pelo ensino. Pelo que poderíamos ser se não teimássemos em olhar só para o ali em frente.  E temo o triste dia que se aproxima, em que não poderemos nos orgulhar, sequer, do que virá. Porque é sério isso: sem raízes, nenhuma planta sobrevive.

              Sem passado estaremos, de novo, à deriva no futuro. Prontos para soçobrar novamente.

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