Lista do dia

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A notícia me chega no final da tarde: um caminhoneiro atropelou e destroçou três postes que ficaram neste mundo por conta do apoio do alambrado elétrico. Detalhe: ele estava pelado. O caminhoneiro pelado.

Depois do ladrão de celular nu, há uns três anos, o caminhoneiro pelado em 2016. Essa o meu lado Big Brother tinha de ver, porque que se há um Big Brother no qual acredito, é o das câmeras de segurança das ruas. Eu já imaginava o sujeito típico, barriga de cerveja, meio careca, enrolando a língua, dizendo que os postes tinham se atravessado na frente dele e levado sua roupa! Arrastão na madrugada!

Passei para o site de busca com aquela ingenuidade que caracteriza os internautas desavisados. Digitei na janela de diálogo “caminhoneiro pelado” e cliquei em “buscar”, na expectativa de encontrar algumas imagens sobre o acontecido. E o que me sai? Uma lista.

Uma lista de sites.

Uma lista de páginas com o título “O Caminhoneiro Pelado”.

“Nossa, que notícia popular!” eu pensei e logo me dei conta.

Nenhuma falava do acidente. Nenhuma exibia barrigas de cerveja nem carecas reluzentes.

Eram sites pornográficos.

Tudo bem, a internet é uma caixinha de surpresas. Então, que tal “caminhoneiro”, “pelado” e o nome da cidade?

Outra lista, tão grande quanto a primeira.

“Caminhoneiro”, “pelado”, “acidente”, nome de cidade…

Outra lista. Comecei a me perguntar sobre a quantidade de caminhoneiros pelados que se envolvem em acidentes na cidade em questão. Como é que eu nunca soube disso? O problema é, claro, a palavra “pelado”. Depois descobri que “caminhoneiro” também dava no mesmo. O resultado foi apelar apenas para o negativo: “acidente” e o nome da cidade. Só então consegui encontrar o que procurava.

Bom, mais ou menos. Acontece que a mídia só chegou ao local bem depois do ocorrido – três postes cuja função foi destroçada, deslocada e virada de cabeça para baixo, aparentemente nessa ordem – e o caminhoneiro já tinha sido levado pelo SAMU. Fácil descobrir o porquê. Era só olhar para o estrago para saber que o pé do motorista sobre o acelerador do caminhão estava mais do que alterado.

Em todo o caso, todo esse trabalho para nada. No final, era propaganda enganosa: o repórter informou que o motorista não estava pelado, estava de cueca. E, aparentemente, o susto foi tamanho, que ninguém lembrou de puxar o celular e filmar, então nem sequer há provas disso.

Vou te dizer, viu? Não pensei que ia chegar o dia em que a notícia seria o caminhoneiro de semelhante estrago estar pelado. Parece que motorista bêbado deixou de ser notícia.

Infelizmente.

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