Heresia

bandeira

O que é o poder…

Conseguiu que as partidas de futebol do domingo à tarde fossem transferidas para o sábado – o impensável.

Conseguiu erguer um muro físico em pleno Planalto Central, em plena Brasília, essa que foi feita para ser a capital de todos os brasileiros. Os de direita, os de esquerda, os pró e os contra, os gordos e magros, os validos e desvalidos.

Heresia maior, essa! Heresia, heresia!

Este não é mais o meu país. Aquele Brasil pelo qual tanta gente se apaixonou e deixou sua terra natal para ficar por aqui, aquele Brasil já não é mais. Aquele que me fazia cantar o hino nacional com alegria, mesmo quando as coisas não iam bem, mesmo quando não me pagaram o salário, porque mesmo então era o país das possibilidades. Do amanhã. Do Futuro.

O Futuro, porém, é uma distopia. Não, a distopia não é mais Ficção Científica, é a realidade, nua e crua. Que pena. O poder tomou o poder. O poder não é mais o da alegria, do deixa-disso, do samba. O carnaval se profissionalizou. O futebol se auto-exportou. Quanto ao samba, não sei, não ouço mais. Só os sambas-enredo que, francamente, são sempre a mesma coisa, métrica e melodia desgastada pela ópera do povo que se repete por obrigatória. A alegria obrigatória. O sonho obrigatório. Do outro lado é a  tragédia, a sabedoria popular substituída pelas mensagens positivas e vazias do Facebook. Sobrou o “achismo” e o sentimento vagabundo de vira-latismo. Sobrou a xepa da feira política no Planalto Central, onde o governo rifa cargos importantes para a nação, na tentativa de continuar no poder; sobrou a xepa da seriedade, na Câmara onde Deputados eleitos pelo voto popular preparam uma loteria de apostas à R$ 100,00, para ver quem acerta a quantidade de votos que cada lado terá no domingo: a dignidade do povo que acredita na Democracia como forma de eleger os melhores de nós para nos governar, arrastada na lama de uma quermesse política que fez da luta pelo poder a sua única razão de ser.

E domingo, esse domingo que virá, não haverá futebol, como eu disse: haverá batalha campal. Dois exércitos com direitos iguais, com direito à voto, separados por 70 metros de vazio. Que esteja vazio e assim permaneça, talvez seja o melhor.

Que a batalha campal seja de ideias, é tudo o que se espera. Que seja verbal. Que a terra termine verde e o céu, azul.

É tudo o que eu espero do domingo. Porque tudo o que não for isso, será mortal.

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2 comentários sobre “Heresia

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