Feira do Livro de Novo Hamburgo – 4

livros

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No começo de agosto enviei um artigo para o Jornal NH (não este), enfocando o tema “Feira do Livro de Novo Hamburgo”. O artigo não foi publicado e não sei se o será. Então, deixo com vocês a presente reflexão e uma série de outras três. Para garantir, pelo menos, que deixei clara a minha posição.

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 Há um último ponto sobre a Feira do Livro que eu preciso falar, e depois juro que me calo, pelo menos até o ano que vem.

Anualmente, mais ou menos nesta época do ano, ouço de que não haverá Feira do Livro. O evento seria muito caro – a Cultura sempre é vista como um gasto, nunca como um investimento no bem-estar comum – e sempre resulta em inúmeras reclamações. Então a solução é diluí-lo em outro evento – como foi no ano passado – como se a Feira não tivesse protagonismo. Ou ameaçar com não realizá-lo.

A quem interessa que uma Feira de Livros – uma feira que mistura comércio e Cultura, que incentiva a presença das pessoas em locais públicos, que movimenta espaços urbanos, que possibilita a troca de ideias, que proporciona o contato com o que temos de melhor em nossa civilização: a Arte em suas diferentes facetas – a quem interessa que semelhante evento se esvazie? Que interesses estão por trás disso? Quem se beneficia de uma praça deserta, de um povo que não lê, que não se informa, que não se apaixona pela cidade onde vive? Quem sai vencedor quando as pessoas se trancam em suas casas, ligam sua internet e se dedicam a trocar impropérios pelas redes sociais, em vez de valorizar os talentos de sua própria cidade e região, visitar seus espaços, valorizar o que a cidade tem de bom e viver no mundo real?

Uma feira cultural é mais do que os livros que ela vende, que o quitute que se consome, que o teatro que se visita, que o artista que se admira. Ela é parte da maneira como vemos o mundo e do que esperamos construir nele. Não dá para abrir mão da Feira do Livro, como não dá para abrir mão do Carnaval ou da programação de Natal, porque não dá para abrir mão da felicidade. Precisamos investir, também, na alegria. Alegria: esse bem comum que dá sentido à vida.

 

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