Cinco de abril

noia

Na minha janela, ela é o meu horizonte. Para bem ou para mal, recortando em quinas e esquinas, devorando com os andares da obra que cresce aqui ao lado e lá no alto do bairro mais afastado. Enormes guindastes se erguem como estranhos dinossauros mecânicos, içando mais material para os andares altos. Sempre e sempre mais.

A cidade cresce. Apesar da crise, da insegurança, da desesperança, a cidade cresce. Às vezes parece que vai se afogar, às vezes parece que vai incendiar de tanto sol. Às vezes, como hoje, parece chorar baixinho, chuva e lágrimas. Emoção, quem sabe? Noventa anos não se passam num sopro.

Tenho muitas Novo Hamburgo em minha memória. A cidade orgulhosa, que visitávamos em minha infância. A cidade que se revelou bela, através dos olhos de um amigo, que se emocionou quando a viu pela primeira vez e me fez entender que o meu prosaico era mais do que eu via. A cidade que tornou-se áspera, no asfalto irregular dos últimos anos. A cidade que às vezes ameaça esquecer de si mesma, comprometendo sua história, enfeiando-se de tristeza. A cidade que se esforça por retomar o crescimento, a fé e a pujança. O horizonte onde o Santuário das Mães desenhava efêmeras imagens nas nuvens baixas, em noites de inverno – da minha janela, ele já não pode mais ser visto, devorado pelo concreto e pelo tijolo. Tenho Novo Hamburgos que são escolas leitoras. Tenho Novo Hamburgos que são carência. Tenho Novo Hamburgos que são realizações. Que foram palcos iluminados. Que foram ruas desertas. Que foram praças cheias de gente e livros. Que ainda serão.

Tenho uma Novo Hamburgo que ainda não aconteceu. Uma Novo Hamburgo que ainda sonha ser. Sonha ser melhor, sonhar ser lar, de novo. Capaz de acolher bem, capaz de ser caminho, capaz de ir além.

Tenho uma Novo Hamburgo que é mais do que prédios crescendo no horizonte. Tenho uma Novo Hamburgo que é gente, nem sempre daqui, mas querendo fazer dela, um lugar melhor. Um campo de batalha que gera benefícios, que abre portas, que consolida futuros.

Essa é a Novo Hamburgo onde eu moro: muitas vidas, muitas faces. Muitos anos de vida.

Noventa.

Felicidades, cidade onde vim viver. Felicidades para todos nós.

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